Quem aqui nunca ficou um bocadinho mais bêbedo que o suposto? Quem nunca acordou e pensou “que caralho aconteceu ontem?”.Hoje vou contar um episódio de uma noite agressiva que acabou com a minha carinha na ruína. Primeiro convém avisar que toda a história que vou contar, não partiu da minha memória daquela noite, mas sim de todos os comentários dos espectadores. Muito resumidamente, uma amiga (certamente com os copos) veio lançada na minha direção, deu aquele mortal em cima de mim e eu caí direta no chão, aterrando de cabeça e só não se sabe bem se comi o paralelo, porque quando levantei o focinho já estava todo banhado em sangue. O que dizem foi que desatei a chorar (e não me admiro porque tenho fobia a sangue!), mas que, devido ao cuidado atencioso e médico do pessoal à volta, cheguei a casa e adormeci.
O que vos posso contar com certezas foi quando acordei. Imaginem o que é depararem-se com a cara em obras: um galo na testa, um buraco no nariz e restos de sangue espalhados na cara, mãos e almofada (mas com os dentes todos, acreditem que naquela altura foi fantástico saber!). Depois de entrar em pânico, vesti-me e segui com a minha vida como se não se passasse nada. Nem fez parte das minhas preocupações o gozo certeiro que ia levar das pessoas que me vissem daquela maneira, mas, enumerando por ordem decrescente as minhas preocupações: morrer subitamente, ter atingido o cérebro e perder cognitivo, ter que fazer cirurgia ao nariz e o sermão que ia apanhar da minha mãe. Neste panorama negro, liguei à minha rica mãezinha e contei-lhe o que se passou. Nestas situações, uso sempre a mesma tática que consiste em: “Estou mãe? Olha, ontem entrei em coma alcoólico”. Depois de ela quase ter um enfarte, digo “Estou a brincar, mas caí e tenho a cara desfigurada”. Trata-se portanto de um processo de suavizar a realidade, experimentem!
Por acaso, de muitas coisas que já me aconteceram (e que vos contarei brevemente) esta foi a única que me deu um bocado de mais juízo, porque as coisas poderiam mesmo ter dado para o torto. Fica aqui a dica: se beberem, façam-no com alguém que reaja bem ao sangue e que tenha um curso de primeiros-socorros, porque nunca se sabe!
Kiss, Violeta
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