Vão e vêm. Não faço questão que fiquem por muito tempo. Só o suficiente para que eu possa mostrar o melhor de mim: o meu lado divertido, selvagem, louco, arrebatado, sensual. Afasto-os antes de começarem a ameaçar sair para fora os fantasmas dentro da minha cabeça.
Engulo em seco, para não chorar, e retorno a encarnar a personagem. Volto-me para ele num movimento lascivo, sorrio com ar de satisfação e digo que tenho de ir embora, que tenho coisas para fazer. Chega um novo convite para uma saída, um jantar ou beber um copo na baixa e rejeito. Seria deixá-lo ultrapassar o perímetro de segurança que estabeleci. Tenho medo de ser magoada e por isso faço-o eu. “Eles não sentem tanto.” – Tento convencer-me, sabendo que é mentira. Já perdi a conta aos encontros fugidios e casuais de puro entretenimento e prazer transitório.
O meu receio é ser abandonada novamente. É voltar a estar prostrada aos pés de alguém em gritos de socorro e ser ignorada no momento mais horrível da minha vida. Então o ciclo repete-se: vão e vêm. Não acredito que alguém me aceite como sou ou, mesmo que aceite, não confio que me consiga dar a mão e não largar quando esta força, que é minha mas que me é estranha, me puxa rumo a um buraco sem fundo sem saber quantos dias serão até voltar a ver luz.
Amanhã vou jantar fora com uma pessoa nova. Atraente, simpático, faz-me sorrir, cheio de qualidades… e provavelmente só mais um para acrescentar ao rol.

Gabriela
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